A Conferência Rio+20 para o desenvolvimento sustentável produziu um documento de
53 páginas intitulado
intenção do que um instrumento eficaz de planejamento para o futuro de nosso planeta
porque os objetivos e os meios propostos para implementação das ações de
desenvolvimento sustentável são genéricos, além de não apresentar as fontes de recursos
a serem utilizadas na implementação da sustentabilidade planetária.
A Conferência Rio+20 fracassou porque o encontro organizado pela ONU ocorreu em
um momento em que o sistema capitalista mundial caminha celeremente da recessão em
que se encontra para a depressão. Os Estados Unidos e a União Europeia estão
mergulhados na maior crise econômica desde a década de 1930 do século passado. O
tamanho das dívidas e a retração econômica geraram desemprego recorde nos Estados
Unidos e ameaçam a própria sobrevivência da União Europeia. Diante desses fatos, há
pouca disposição dos países capitalistas centrais em investir na melhoria das condições
do meio ambiente do planeta.
A ausência do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, da chanceler alemã,
Angela Merkel e do primeiro-ministro britânico, David Cameron, demonstram a pouca
importância que eles deram à Rio+20 porque o desenvolvimento sustentável não é
prioritário. Não aconteceu na Rio+20 uma foto histórica como a da Rio 92, com a
presença de todos os chefes de Estado mais importantes do mundo, configurando desta
forma um fracasso histórico para este evento que, lamentavelmente, não ofereceu
respostas para os gigantescos problemas ambientais do planeta .
O lamentável é que, nestes últimos 20 anos, os cientistas que veem estudando o meio
ambiente do planeta chegaram à conclusão de que a atividade humana está alterando o
clima da Terra sendo consenso entre todos os pesquisadores sérios que a temperatura
média da Terra está subindo graças à emissão de gases poluentes, apesar de alguns
pseudocientistas apresentarem visão diametralmente oposta. Em 2007, o painel de
cientistas reunidos pela ONU para estudar o clima, o IPCC, concluiu que o planeta está
esquentando além do natural por causa de gases emitidos por atividades como
desmatamento ou queima de combustíveis fósseis. A persistir nesse ritmo, é possível
que, no final deste século, a temperatura média da Terra aumentará 4 graus Celsius que
será tão elevada que seria suficiente para destruir a cadeia produtiva de alimentos,
inundar cidades e agravar eventos como secas e inundações.
A necessidade de mudar os rumos do planeta começou na década de 1970 do século
XX. Em 1972, a academia de ciências italiana, o Clube de Roma, juntou todo o
conhecimento disponível e elaborou o relatório
esgotamento futuro de recursos minerais e energia cujos resultados atuais mostram que
as previsões estavam corretas. Ainda em 1972, em Estocolmo, e em 1992, no Rio, foi a
primeira vez que os governos começaram a considerar que não seria possível conseguir
crescimento econômico ilimitado sem considerar a oferta limitada de recursos naturais.
A Rio+20 deveria ter representado um passo à frente em relação às conferências de
1972 e 1992.